Ensino a distância compromete a saúde única Artigo

Imagine aprender sobre procedimentos cirúrgicos, análise e manipulação de substâncias e medicamentos, exames e análises clínicas, cuidados médicos sem qualquer experiência prática? Para desenvolver essas habilidades, estudantes precisam, necessariamente, ter vivência. E é justamente por isso que a Ensino a Distância (EaD) não pode ser aplicado a qualquer curso de graduação na área da saúde.
Com base nesse entendimento, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) está unido ao Conselho Federal de Medicina Veterinária, aos demais CRMVs do País, aos Conselhos de classe das outras profissões e às entidades da área da saúde para combater a proliferação do EaD. Entendemos que esses cursos são complexos e exigem dedicação total mesmo com aulas presenciais, o que torna incogitável a possibilidade de lidar com vidas estudando apenas de forma virtual.
O tema é urgente e prioritário na agenda das entidades que representam os profissionais da área em seus mais diversos ramos de atuação. É nossa responsabilidade advertir as pessoas sobre os perigos de serem atendidas – risco que se estende aos animais – por um profissional que nunca teve contato com pacientes ou sequer entrou em um laboratório. Daí todo o esforço para que o Ministério da Educação decrete o fim dos cursos em modalidade EaD na área da saúde.
No caso específico da Medicina Veterinária e Zootecnia, a preocupação é com o comprometimento da qualidade da saúde única, que consiste na união indissociável entre a saúde animal, humana e ambiental. Esses profissionais atuam com saúde animal, clínica médica e cirúrgica, Medicina Veterinária Preventiva, saúde pública, produção animal, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal e nutrição animal. O EaD também compromete a execução de estágios, já que a modalidade não prevê supervisão acadêmica para os treinamentos curriculares.
Não podemos abrir mão da formação qualificada de estudantes para garantir saúde de qualidade a todos. Só a prática e o convívio universitário proporcionam a construção de profissionais competentes.
Em virtude do exposto, encaminhamos um ofício ao Ministério Público, solicitando audiência o mais breve possível para tratar do assunto. É de interesse de toda população que o ensino seja tratado com o devido respeito e que a formação profissional tenha a qualidade necessária para garantir a excelência dos serviços prestados a seus usuários.

Artigo – Lisandra Dornelles, presidente do CRMV-RS

Fonte: Portal CRMV-RS