Médicos veterinários e zootecnistas discutem gestão de fauna invasora em fórum do Sistema CFMV/CRMVs

Por Roberta Machado

Com o objetivo de debater o desafio da gestão da fauna invasora no Brasil, médicos veterinários e zootecnistas se reúnem nesta semana no II Fórum das Comissões Nacional e Regionais de Animais Selvagens do Sistema CFMV/CRMVs. O evento, iniciado nesta segunda-feira (6/11) na sede do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), em Brasília (DF), atraiu profissionais de 11 estados, que discutiram casos em que a introdução de espécies exóticas no território brasileiro representa uma ameaça ao meio-ambiente e à saúde pública.

O Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, ressaltou na abertura do evento a importância dos médicos veterinários e zootecnistas para a preservação do equilíbrio ambiental. “Temos a consciência de que os animais selvagens têm uma importância extremamente fundamental para a existência de todas as espécies animais e vegetais, e existe a necessidade de os médicos veterinários e zootecnistas manterem esse equilíbrio, não só no que diz respeito ao bem-estar animal, mas também à ecologia e à prevenção de doenças”, ressaltou Arruda.

Espécies invasoras representam um grave problema ambiental, social e econômico em diferentes regiões do mundo. São animais retirados de suas regiões naturais e introduzidos em outras regiões acidentalmente, por meio do tráfico internacional de animais silvestres, ou devido à falta de controle sobre iniciativas de criação com fins comerciais. Mudanças causadas pelo crescimento urbano, como o desmatamento, também levam a esse desequilíbrio, forçando populações para fora de suas áreas de origem e abrindo espaço para espécies exóticas.

Esses animais competem com as populações nativas, tornam-se predadores perigosos e disseminam doenças. “Essas espécies invasoras afetam diretamente a biodiversidade e a saúde humana. Esse processo vem desde a colonização, com o transporte de roedores, por exemplo, e continua até hoje”, alerta Carlos Eduardo do Prado Saad, zootecnista e presidente da Comissão Nacional de Animais Selvagens do CFMV (CNAS). Saad aponta que projeções estimam um prejuízo econômico de até US$ 1,4 trilhão causado pelas espécies invasoras, o equivalente a 5% da economia mundial.

Carlos Eduardo do Prado Saad, Presidente da CNAS. Foto: Ascom/CFMV.

Alguns exemplos dessas espécies no Brasil são o búfalo d’água e o javali, que foram inicialmente trazidos ao país para produção, mas se tornaram asselvajados, representando hoje uma séria ameaça ao meio-ambiente e à segurança da população. Métodos de controle dessas espécies, como a caça, são atualmente objeto de debate entre profissionais de diversas áreas e representantes do governo. “O controle está ligado com doenças, produção e meio-ambiente. O objetivo é mitigar os impactos negativos”, resumiu Valéria Natascha Teixeira, integrante da CNAS, que participa da elaboração do Plano Javali, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Valéria Natascha Teixeira, integrante da CNAS. Foto: Ascom/CFMV.

Teixeira falou aos participantes do evento sobre os esforços multidisciplinares tomados no país para o combate à proliferação dessa que é considerada uma das piores espécies invasoras do mundo, e mencionou os obstáculos ambientais, legislativos e técnicos para a adoção de medidas mais eficientes para o controle do javali no Brasil. “Não pensamos em extinguir o javali do nosso território, mas em evitar que os problemas causados por eles sejam maiores”, ressaltou a médica veterinária.

 

Gestão

Os participantes do fórum também tiveram a oportunidade de falar não somente sobre o controle de espécies invasoras, mas também a respeito de outras questões relativas aos animais selvagens que têm sido contempladas pelos planos de ação dos conselhos regionais. Os representantes do CFMV e dos CRMVs partilharam com os colegas as experiências positivas de cada CRMV em busca do aprimoramento profissional e as iniciativas realizadas junto ao governo e à população, além dos desafios enfrentados em cada região.

Isaac Albuquerque, integrante da CNAS e presidente da CRASMA/CRMV-AL. Foto: Ascom/CFMV.

“Nós procuramos promover e estarmos inseridos nas ações que já são cumpridas no estado, contribuindo e tentando estar mais próximos da realidade estadual sobre as questões relacionadas à temática de animais selvagens e do meio ambiente”, contou Issac Albuquerque, integrante da CNAS e presidente da Comissão Regional de Animais Silvestres e Meio Ambiente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do estado de Alagoas (CRMV-AL).

Débora Rochelly, integrante da CNAS. Foto: Ascom/CFMV.

Entre os focos da CNAS/CFMV na última gestão estão a realização de ações educativas, a valorização e o aprimoramento dos responsáveis técnicos, e a adesão dos Conselhos Regionais ao trabalho estratégico na área de animais selvagens. “O objetivo do CFMV é expandir a Comissão de Animais Selvagens dentro dos outros estados. Percebemos que houve um aumento do número de comissões regionais, e isso é muito importante. O nosso objetivo é ter representatividade em todos os estados”, ressaltou Débora Rochelly Alves Ferreira, integrante da CNAS.

Assessoria de Comunicação do CFMV.

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